INDICE DE NOTÍCIAS:

[03/2007] - Voluntários para pesquisa sobre sono (Revista Pesquisa Fapesp, 05/2007)
[03/2007] - Exercício compensa privação de sono (Estado de São Paulo, 03/2007)
[03/2007] - Exercício Físico protege o organismo contra danos provocados pela privação de sono (Revista Pesquisa FAPESP, 03/2007)
[03/2007] - CNPQ apresenta o CEPE à comunidade científica

[04/2006] - Idosos x Jovens (Globo Repórter, 04/2006)
[04/2006] - Exercícios melhoram a memória dos idosos (Folha de São Paulo, 04/2006)
[11/2005] - Atletas de corrida de aventura são voluntários em estudo de privação de sono
[10/2005] - Ecomotion PRÓ 2004
[10/2005] - Pesquisa da Unifesp estuda efeitos da privação de sono
[10/2005] - Exercício é alternativa para tratar Síndrome das Pernas Inquietas
[01/2004] - Estudo comparativo das capacidades aeróbia e anaeróbia de adolescentes com obesidade severa na cidade de São Paulo


[05/2007]
Voluntários para pesquisas sobre sono
  O Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício (CEPE) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) está recrutando voluntários para três pesquisas sobre distúrbios do sono. Os estudos serão feitos no próprio CEPE (Rua Marselhesa 535, Vila Clementino, zona sul de São Paulo), perto da estação de metrô Santa Cruz, e não terão nenhum custo aos seus participantes.

O primeiro estudo requer idosos do sexo masculino, com idade entre 65 anos e 80 anos, para participar de um programa de exercícios físicos em esteira e/ou musculação. O objetivo da pesquisa em questão é avaliar o efeito da prática regular de exercícios sobre a capacidade funcional, o sono e a memória de idosos. Os interessados não devem apresentar doenças crônicas.

O segundo estudo tratará da influência de três diferentes tipos de exercício físico no padrão de sono de pacientes com insônia. Os pesquisadores do CEPE pretendem avaliar o efeito agudo e crônico de diferentes tipos de exercício físico (aeróbio contínuo, aeróbio intervalado e resistido) no padrão de sono de pacientes com insônia crônica primária. Serão selecionados 80 pacientes com insônia (homens e mulheres) com idades entre 30 e 55 anos. O estudo terá duração de seis meses.

Por fim, o terceiro estudo avaliará a influência dos diferentes tipos de exercício físico (esteira, bicicleta e musculação) no padrão e eficiência do sono de indivíduos sedentários. Para o estudo, serão selecionados homens e mulheres clinicamente saudáveis com idades entre 18 anos e 60 anos. Os voluntários serão submetidos a exames polissonográfico, de sangue e composição corporal. Além disso, realizarão um programa de exercício físico semanal, três vezes por semana, durante seis meses.

Mais informações:

Estudo sobre idosos: contatar Rita, Valter ou Viviane
Tel: (11) 5572-0177 / 5083-6900
E-mail: projetoidosos@hotmail.com
Estudo sobre insônia crônica primária: contatar Giselle Soares
Tel.: (11) 5572-0177
E-mail: gisasoares@hotmail.com
Estudo sobre sono e exercício: contatar Daniel, Alexandre, Alberto ou Ernani
Tel.: (11) 5572-0177
Matéria na íntegra AQUI



[03/2007]
Exercício compensa privação de sono
  Os danos físicos e mentais causados por muitas horas deprivação de sono podem ter um outro remédio além da cama macia e quentinha – um pouco de atividade física. Estudo feito na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra que ao se exercitar, pessoas que trabalham em jornadas muito longas ou irregulares conseguem proteger o corpo dos efeitos nocivos das poucas horas dormidas.
Matéria na íntegra AQUI


[03/2007]
Corpo no limite
  matéria publicada na Revista Pesquisa Fapesp em o3/2007

Em 2003 um breve telefonema pôs fim a meses de busca dos pesquisadores Marco Tulio de Mello e Hanna Karen Antunes, do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Estudiosos dos efeitos que o exercício físico produz sobre o organismo, Mello e Hanna Karen planejavam um experimento para descobrir o que acontece com o corpo e a mente de quem passa dias sem dormir. E tinham quase todo o necessário para a pesquisa à disposição. Faltava apenas encontrar pessoas dispostas a passar algumas noites em claro nos laboratórios do Instituto do Sono – sem receber nada em troca, uma vez que a legislação brasileira impede a remuneração de voluntários de pesquisas. Do outro lado da linha, o jornalista Celso Lobo, da Rede Globo, apresentou a solução. Uma equipe do Fantástico faria uma reportagem sobre a primeira edição brasileira de uma das mais longas e extenuantes competições do planeta – a Ecomotion-Pro, em que os participantes passam dias quase sem dormir – e convidou a equipe da Unifesp para acompanhar o desempenho dos atletas. Era a oportunidade que Mello e Hanna Karen tanto perseguiam.(...)
Confira matéria na íntegra no LINK abaixo:
REVISTA FAPESP


[03/2007]
CNPQ apresenta o CEPE à comunidade científica
O CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) apresenta o CEPE em sua sala de imprensa como uma entidade aberta à pesquisa e parcerias visando a capacitação de recursos humanos.
Confira matéria na íntegra no LINK abaixo:
CNPQ

[04/2006] Idosos X Jovens

Matéria publicada no Globo Reporter em 04/2006

Será mesmo que a resistência física diminui depois dos 60 anos? Na busca de uma resposta, um teste de idosos ativos contra jovens sedentários. De um lado os mais experientes: Étale Waine, de 73 anos; Germinal Moreira, de 73 anos; Eledir Tomaz, de 65 anos; e Wladimir Riberto, de 67 anos. Do outro, os mais jovens: Tânia Naquelli, de37 anos; Ednaldo Azevedo, de 25 anos; e Mônica Slikta, de 35 anos.
Em um dos laboratórios mais avançados do Brasil, o campo de provas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o equipamento-bolha mede a porcentagem de gordura do corpo.
Em seguida, a prova que mede a capacidade de consumo de oxigênio. Quanto mais oxigênio é consumido pelo organismo, melhor é o condicionamento físico da pessoa. As diferenças de atitude começam a revelar seus efeitos.
“Sou aposentado, mas continuo trabalhando com vendas na rua, ando muito”, diz seu Wladimir. O fôlego de Tânia acaba e o de seu Wladimir surpreende. “O teste foi sensacional, muito além de nossas expectativas”, ressalta o pesquisador Ricardo Casilhas.
Na vez de Edinaldo, que é 42 anos mais novo do que seu Wladimir, um susto: "Ele está com uma pressão agora de 17 por 13. Partir do repouso com uma pressão tão elevada assim é muito arriscado, nem é bom fazer o teste”, anuncia o professor de educação física Marcelo Ortiz.
O risco durante um teste como esse é aumentar demais a pressão arterial e a freqüência cardíaca do voluntário, o que pode provocar um infarto. Edinaldo foi obrigado a esperar. Com 25 anos e recém-casado, ele é um jovem como tantos outros que trabalham muito, quase não se exercitam e viram vítimas da comodidade dos nossos tempos.
“Nós tivemos uma evolução tecnológica muito grande. As pessoas andavam a pé, faziam todas as atividades com um gasto energético muito maior. Hoje, as pessoas sobem de elevador, andam de carro, não têm o hábito de gastar energia”, comenta o professor Marco Túlio de Mello, do Departamento de Psicobiologia da Unifesp.
Na época em que seu Wladimir tinha a idade de Edinaldo, os paulistanos não andavam de metrô, penavam para subir as escadas. Tudo mudou com os trens subterrâneos e as escadas-rolantes. Só no metrô de São Paulo, são 466.
“Hoje não tenho nenhuma atividade física diária. Misturar todas as funções – mãe, emprego, atividade de casa – complica um pouco”, alega Tânia. A administradora, de 37 anos, mirou-se no exemplo das mulheres independentes e bem-sucedidas. Um ideal da luta feminista nos anos 60, a década em que Tânia nasceu. Período em que a mulher chegou ao mercado de trabalho. E, de tanto trabalho, Tânia já não tem tempo para se cuidar. “Pelo que estou vendo dos meus concorrentes, meu resultado no teste vai ser péssimo”, arrisca ela.
Edinaldo, o mais jovem de todos, ainda descansa enquanto os outros seguem pedalando.
“Há cerca de quatro anos eu entrei na academia. Faço caminhada e pedalo na bicicleta. Você passa a gostar, depois de um certo tempo se torna um vício”, conta seu Eledir.
Os últimos dois voluntários estão prontos para fazer o teste de esforço. Edinaldo descansa há dez minutos. “A pressão dele ainda está bastante elevada, 17 por 13, e por esse motivo recomendamos que ele não faça o teste hoje”, diz o professor de educação física.
“É um susto saber que não posso fazer o teste porque minha pressão está alta”, diz Edinaldo. “Agora vou ver o que está acontecendo.”
Enquanto isso, seu Germinal, o mais idoso de todos, vai se mostrando a grande revelação na bicicleta. “Pelos números apresentados, eu diria que essa pessoa tem uns 20 anos”, diz Ricardo.
Para ter resultados confiáveis, os pesquisadores da Unifesp fizeram uma bateria de exames. No dia seguinte, a divulgação dos resultados.
“O que mais nos chamou a atenção foi a grande aptidão física apresentada pelo grupo da terceira idade. Eles não são atletas, não têm isso como objetivo, mas se esforçam muito para ter uma boa qualidade de vida e uma boa aptidão física. Mas nós também temos um grupo de sedentários, que estão abaixo do que é esperado para a faixa etária deles”, avalia Marco Túlio.
A pressão de Edinaldo se manteve alta e ele não pôde fazer o teste. Terá que tratar de um mal que desconhecia possuir: a hipertensão. “Foi ruim. Você pensa em muitas coisas – na família, nos filhos. Caramba, estou mal! Preciso melhorar”, conclui Edinaldo.
Comparando os testes de condicionamento físico, Tânia quase empatou com seu Wladimir e perdeu para seu Eledir e seu Germinal. Ela se justifica com estresse e falta de tempo para a saúde.
“Hoje é tudo muito exigente, você precisa educar seu filho e para isso tem que correr atrás de dinheiro. Não dá para ser hipócrita e dizer que não. Eu preciso trabalhar bem, morar bem, dar condições para meu filho”, diz Tânia.
Mônica, que a vida inteira vem lutando contra a obesidade, ainda precisa perder mais peso. “Ela tem 35 anos e está um pouco acima do que é esperado para ela”, diz Marco Túlio.
O teste mostrou que Mônica tem um condicionamento físico pior do que o de dona Étale, que tem mais que o dobro da idade dela.
“No que diz respeito à gordura e aos músculos, dona Étale tem uma proporção muito boa para a faixa etária dela”, avalia Marco Túlio.
“Estou muito contente, mas eu tenho certeza de que a Mônica vai reagir e chegar à minha idade muito melhor do que eu. Eu comecei a me exercitar depois da Mônica, aos 40 anos, de modo que se ela começar agora vai estar melhor do que eu”, incentiva dona Étale.
O mais bem-condicionado do grupo é mesmo seu Germinal. A medalha de prata vai para seu Eledir.
“Seu Wladimir também apresentou uma capacidade física muito boa”, destaca Marco Túlio. As pessoas entre 25 e 45 anos precisam ter uma nova visão e implementar novos conceitos de qualidade de vida”, aconselha o pesquisador.
E o teste responde a primeira pergunta: a capacidade física não depende só da idade, mas da atitude diante da vida.
“Fico contente em ver o resultado. Estou feliz por poder dar esse exemplo, sem querer, aos mais jovens”, comemora seu Eledir.
"Eu queria um bocadinho da sabedoria deles hoje, na minha idade. Isso seria perfeito", diz Tânia.


[04/2006] Exercícios melhoram a memória dos idosos

Matéria publicada na Folha de S.Paulo de 02/04/2006
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Constança Tatsch

Muita gente corre a vida inteira e pensa que, quando a velhice chegar, será o momento de ficar sentado no sofá. Mas estudos indicam um outro caminho a seguir. O exercício físico para pessoas com mais de 60 anos, além de fazer bem para o corpo, ajuda a mente, melhorando a memória e o raciocínio. Pacientes com mal de Alzheimer e Parkinson podem retardar o avanço da doença.
Estudo realizado na Unifesp com 65 idosos - submetidos durante seis meses a um programa de musculação-- apontou melhora sensível nas funções cognitivas, como memória, raciocínio, percepção e coordenação motora. "Alguns iam com lista ao supermercado e dispensaram o papel. Tamanha confiança de que iam lembrar", conta Ricardo Cassilhas, profissional de educação física que comandou a pesquisa.
O humor dos voluntários também melhorou. Só por sair de casa e conhecer pessoas, houve diminuição da depressão e ansiedade. Com o fim do estudo, a maioria tem intenção de continuar se exercitando. "Eles não queriam perder o que tinham ganhado."
Antes de começar uma atividade física, muitas pessoas ficam reticentes. "Uns acham que não fizeram nada a vida toda e não vão começar depois de velhos. Outros se sentem excluídos de ambientes como academias", afirma Cassilhas. Não há restrição ao fato de ter sido sedentário, desde que tenha acompanhamento médico.
"É animador. Se a gente conseguir modificar determinados hábitos, diminui o risco de doenças e melhora a qualidade de vida do idoso e da família", afirma Cássio Bottino, coordenador do Projeto Terceira Idade do Instituto de Psiquiatria do HC. Às vezes, os parentes acreditam que mantê-lo dentro de casa é o melhor. "Superproteção é algo que a gente combate. O familiar não deve fazer nada que o paciente é capaz."
Pesquisas comprovam que a atividade física também é recomendada para quem tem Alzheimer ou Parkinson. "Se é um momento em que a memória está começando a declinar e a gente pode usar alguma coisa que a faça melhorar ou estabilizar, é um ganho", diz Cybelle Maria Costa Diniz, geriatra e diretora científica da Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer). "Para o paciente com doença de Parkinson, o primeiro tratamento, às vezes até antes do remédio, é exercício físico."
A atividade física representa um novo mundo para o idoso, no qual ele não precisa estar só. "Trabalho com a afetividade. A gente tenta se tornar um amigo dessa pessoa, não só um terapeuta que vai lá realizar movimentos", diz o professor de educação física Carlos Eduardo de Carvalho Afonso.


[11/2005] Atletas de corrida de aventura são voluntários em estudo de privação de sono
Pesquisadores testam limites em atletas de Corrida de Aventura

Por Wladimir Togumi - adventuremag.com.br

Como a privação do sono influencia no rendimento físico dos atletas de corrida de aventura?

Para responder essa pergunta, a pesquisadora Hanna Karem Antunes juntou novamente atletas dispostos a simular uma corrida de aventura em laboratório. Hanna Karem é pesquisadora do Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício (CEPE) da Unifesp e organizou o simulado sob a coordenação do Dr. Marco Túlio de Mello.

No ano passado fui conhecer o laboratório e ver como tudo funcionava e o que era para ser uma visita de poucas horas acabou se tornou quase dois dias junto com as -cobaias-. E essa foi a provável razão de ter recebido um telefonema da Hanna no começo deste ano, procurando por voluntários para mais um simulado e perguntando se eu toparia participar do experimento. Sabia que devia ter ido embora antes...

Ela explicou que o funcionamento seria igual ao do ano passado e que aconteceria no último final de semana de novembro. Talvez pela curiosidade de saber quantas horas conseguiria ficar acordado, utilizando a mesma estratégia de sono em uma corrida de longa duração, acabei topando o desafio.

Minha função no experimento foi o de controle-, que é a pessoa que não pode fazer qualquer exercício físico e dorme pelo mesmo período de tempo que a equipe que está em atividade física.

Simulado

Na tarde de quinta feira, 24 de novembro, fui para o que seria minha casa pelos próximos dias: o 9º andar do prédio da CDB, na Vila Mariana, onde se encontra o Instituto do Sono. Algumas pessoas foram entrevistadas pela Rede TV e pelo SBT e a Hanna passou as últimas instruções para os participantes. Era hora dos atletas encherem as mochilas e os sistemas de hidratação e começar o simulado, que teve início às 20:17h.

O percurso do simulado foi o mesmo do Ecomotion Pro - Chapada Diamantina, com Trekking na esteira, Mountain Bike em rolos, Remo nos ciclo-ergômetros e natação na piscina. Só faltou simular a ascensão e o rapel.

A equipe que fui designado como controle foi formada pelos atletas Henri Kubota, Mauricio Pagotto e Carlos de Paula, integrantes da equipe H2OBrasil Landslide e Edílson Eizano Rezende, da equipe XTR. O atleta Marcelo de Marchi, também da XTR, e o pesquisador Wagner Luis Prado completavam o grupo como controles.

Apesar de ficarmos confinados ao 9º andar do prédio durante a maior parte do tempo (podíamos descer para o térreo durante as refeições: café, almoço, café da tarde e jantar), não estávamos isolados de tudo. Para passar o tempo tínhamos televisão, vídeos, videogame, internet e podíamos usar o telefone. As únicas restrições eram não fazer qualquer atividade fisica e não dormir. Só isso...

Como esperado a primeira noite foi bem tranquila. A agitação do começo das atividades e a espera pelas matérias na televisão (a do SBT passou a 1:00h da manhã!!) fez com que o tempo passasse rápido. Como o simulado iniciou à noite, não demorou muito para que a manhã seguinte chegasse logo.

Além de não poder dormir, nós (controles) tivemos que passar pela tortura da medição do Índice de Metabolismo Basal. Esse índice é a energia (medida em calorias) gasta pelo corpo no descanso para manter as funções normais e a medição é feita de um jeito bem simples: fica-se deitado com uma máscara no rosto durante 30 minutos e não pode se mexer! Para passar o tempo comecei a contar os quadrados do forro no teto e tentei fazer contagem regressiva mas me perdi com os números. Por sorte fizemos esse exame só mais uma vez (obrigado Ioná!!).

Na sexta feira o laboratório ficou mais cheio com a chegada dos outros participantes. A outra equipe foi formada pelos atletas Amaury de Souza Jr, Pietro Carlo e Rosângela Hoeppner, e como controle estavam Cley Santana e Alexandre Paulino.

Rose foi a responsável pela animação da nossa segunda noite, cantando e brincando com todos, mas o sono já não era tão fácil de controlar. Os monitores, encarregados de não deixar os "controles" dormir, tiveram bastante trabalho. O divertido era quando de repente, do nada, eles perguntavam - cadê fulano? - e saíam à caça do controle perdido, procurando no banheiro, na sala de videogame e na sala de computador.

Nesta hora usar o computador, jogar videogame ou assistir vídeos era quase impossível. As "pescadas" eram constantes e as pálpebras ficavam cada vez mais pesadas.

Sabia que não era o único nessa situação e que os atletas, que já estavam a quase 30 horas em atividade fisica, iriam dormir nessa noite. Só não sabia quanto tempo... Logo depois fomos informados que a equipe optou pela estratégia de dormir 1 hora e depois seguir direto até o fim. Nesse momento já estava quase dormindo em pé, literalmente, e se ficasse mais algumas horas acordado só conseguiriam contato comigo através de mensagens psicografadas.

Término do trekking, subimos para fazer a polissonografia durante nosso descanso de 1 hora. Quando a porta do elevador se abriu, os técnicos se dividiram, cada um indo para um quarto para "ligar" os fios nas nossas cabeças. Até que foi rápido, assim como pegar no sono. A chamada latência, espaço de tempo entre o deitar e o dormir, foi praticamente zero.

E praticamente zero foi também a sensação de descanso. A impressão que tive é que logo depois de pegar no sono abriram a porta e acenderam as luzes. Aquela 1 hora pareceu poucos minutos. Eram 6h00 da manhã. Sorte que a hora do café da manhã estava próximo e eu poderia sair um pouco do ambiente do laboratório, observar a movimentação no térreo e tentar despertar.

Lembro que logo depois de voltar para o laboratório, o Amaury pediu para o Marcelo trocar o pneu de uma das bicicletas... coitado. Enquanto tentava entender o que estava acontecendo, Amaury falou mais centenas de coisas. Marcelo pediu um pouco de calma...

O sol lá fora começava a aparecer e isso era bom. A claridade me ajudou um pouco a despertar, mas percebi que aos poucos eu estava "saindo do corpo". Não sei se era bom ou ruim, mas sabia que o pior ainda estava por vir. Ficava imaginando o que fazer durante a terceira e última noite para me manter acordado.

Depois do café da manhã o dia passou razoavelmente rápido. Alguns conhecidos apareceram para ver como estava indo o simulado e a conversa ajudou a passar o tempo. Mas a situação não estava 100%. Uma das pessoas que apareceu no sábado foi a Cristiane, proprietária do restaurante Podium Adventure. Conversamos um pouco sobre os preparativos da festa da APCA, que acontece no próximo dia 12, mas estava com muito sono e lembro de ter falado para ela que talvez não lembrasse daquela conversa depois do simulado.

Naquele momento já estava entrando no "mundo de Matrix". As coisas começaram a acontecer em câmera lenta, parecia que estava fora do corpo, os sons pareciam abafados, bem longe e a sensação de Deja Vú era constante.

A noite chegou. Tentei assistir televisão mas se na segunda noite era quase impossível, imagine na terceira. Consegui usar um pouco o computador de uma das salas, que tem a saída do ar condicionado bem em cima da cadeira. O frio segurava um pouco o sono.

Fui jogar videogame... era um jogo de luta se não me engano. Apertava todos os botões, de qualquer jeito, para tentar ganhar. Tinha outro jogo, de carro, mas nem arrisquei. Voltei para a televisão e tive a certeza que seria impossível assistir alguma coisa... via as imagens mas não conseguia acompanhar a história ou o assunto, o que quer que fosse. Mal acabava de ouvir uma frase e já esquecia. Concentração zero.

A solução que encontrei foi andar. Fiquei andando, bem devagar, ao redor das salas do andar. Não sei quantas voltas completei. Às vezes mudava a rotação. Aliás, essa foi a solução desde a segunda noite. Às vezes parava, tentava usar o computador de novo e depois voltava para a caminhada. De vez em quando ia para o banheiro jogar uma água no rosto.

Ao amanhecer achei que as coisas iam melhorar. Doce ilusão! Quando amanheceu pareceu que o sono cumulado dos 3 dias chegou de vez. Era difícil me manter acordado e andava cambaleando, às vezes me apoiando nas paredes. Conversava com algumas pessoas mas só o corpo estava presente, a mente estava longe. Passei o domingo inteiro molhando o rosto e lutando contra o sono. Lembro que colocaram um filme mas poucos segundos depois de ficar olhando para a tela já estava cochilando. De pé!

A agitação do final do simulado me despertou um pouco. Poucos minutos de comemoração e fomos fazer os testes cognitivos, colher sangue, fazer medição corporal, jantar e dormir. Finalmente! Fomos novamente para a polissonografia, mas desta vez sabendo que podíamos descansar muito mais.

Estratégia

Para Henri Kubota, que já participou de provas longas, inclusive da corrida na Chapada Diamantina, a estratégia de dormir uma hora foi boa. Largamos às 20:00 de quinta e sabíamos que pelo ritmo escolhido teríamos 3 noites pela frente. A primeira noite é tranqüila de se varar. A segunda, no momento mais crítico, quando os quatro já estavam dormindo sobre a esteira (eu até sonhei) e numa parada para ir ao banheiro, o Bart (Maurício Pagotto) quase atravessa o espelho do laboratório e então resolvemos parar para dormir uma hora, disse Henri.

-Apesar da sensação de ter sido apenas um minuto de sono, deu pra agüentar o dia todo e na última noite a gente foi pra morte - um trecho entediante de 8 horas e meia na esteira, com muitas dores nos tendões e bolhas nos pés. O último dia foi complicado. O sono pegou pesado e a gente parecia estar "fora do corpo". Mas faltava só mais esse dia e após muitas "pescadas", deu pra chegar no final sem dormir mais, completou.

Ele participou também do simulado no ano passado, mas teve que parar devido a uma inflamação na garganta. Quando perguntado porque estava participando novamente, ele respondeu: Em primeiro lugar, por se tratar de uma pesquisa séria, coordenada pela Hanna, onde os resultados obtidos podem ajudar outras pessoas que trabalham em condições de privação de sono. Em segundo lugar, pelo desafio pessoal de completar o simulado.
Um teste físico e psicológico muito difícil que ano passado não completei.

Apesar de treinar regularmente, Carlos de Paula enfrentou sua primeira corrida de aventura no laboratório. - Devido à falta de experiência em corridas de aventura, segui o rítmo que a equipe determinou. Nas primeiras horas não sabia de onde saía tanto suor. O trekking de 39 km não foi fácil, mas depois foi numa boa. Já no segundo dia comecei a sentir fortes dores nas pernas, mas nada que não fosse superável e um trecho de 10 hs de remo foi fundamental para o descanso das pernas e dos pés-, disse De Paula.

-No começo é difícil mas logo essa idéia é quebrada. Além da importância da pesquisa, o fato de olhar pro lado e ver que eu não estava sozinho nessa, com o Henri e o Bart rachando o bico de me ver cochilando, o Edílson me perguntando o tempo todo porque eu não falava nada, o apoio de equipe quase que implorando para que a gente fosse dormir um pouco para que eles pudessem também e a Dra Hanna Karem como fiscal de prova só aplicando
penalidades. É impossível não aderir o espírito de equipe, ajudar e ser ajudado e tocar o barco em frente, lembrando que tudo que é feito entre amigos, torna-se muito mais fácil e até mesmo agradável. O PC virtual na piscina foi maravilhoso, sem contar as refeições em todas as transições, sob a responsabilidade das nutricionistas Cibele Crispim e Ioná Zalcman, completou.

O simulado terminou aproximadamente às 18:00h de domingo, totalizando quase 70 horas, e no geral os participantes somaram 82 horas "online", com apenas 1 hora de descanso.

Apesar da atividade fisica ajudar a combater o sono, fico imaginando o que os navegadores enfrentam, já que eles precisam de muita concentração. Nessas horas de muita privação de sono, parar e olhar para mapa, tentando identificar a localização da equipe durante a noite, só com o foco da headlamp, deve ter a mesma sensação que eu tive quando olhava para a tela do computador ou para a televisão.


[10/2005] Ecomotion PRÓ 2004

Mais detalhes dessa notícia no site baixo

ECOMOTION


[10/2005] Pesquisa da Unifesp estuda efeitos da privação de sono
:ECOMOTION

[10/2005] Exercício é alternativa para tratar Síndrome das Pernas Inquietas
A Unifesp trata pacientes portadores da SPI com exercícios aeróbicos como uma alternativa à medicação. A prática de exercícios faz com que o organismo libere beta-endorfina, um analgésico natural, e dopamina.
Um estudo desenvolvido pelo professor Marco Túlio de Mello, do Departamento de Psicobiologia da universidade, mostrou que os exercícios ajudam na diminuição dos movimentos noturnos na mesma proporção dos remédios.
Segundo Mello, em ambas as situações, os pacientes estudados passaram de uma média de 35 movimentos por hora para 12.
O aposentado Cláudio Contesini pratica os exercícios há sete meses e diz que tanto ele como a mulher já sentiram diferença. "Minha mulher disse que o último tranco que dei durante o sono foi há 20 dias", afirma.
Durante o dia, Contesini diz que os movimentos involuntários caíram em número e em intensidade. "Ainda não estou curado, mas minha vida está bem melhor", afirma o aposentado.
A artista plástica Marieta Rosthal Wajner, 71, também portadora da síndrome, começou há três semanas uma série de exercícios indicados pela médica que a acompanha no Hospital Israelita Albert Einstein.
Ela diz que procurou ajuda médica ao perceber uma "impressionante queda de energia" durante o dia. Ela teve a síndrome diagnosticada após fazer uma polissonografia. Durante o exame, foi detectado um número elevado de movimentos das pernas.
Apesar de a médica ter indicado calmantes, associados aos exercícios, ela diz preferir esperar os resultados da atividade física.
Para uma nova fase da pesquisa sobre o impacto dos exercícios na SPI, o Instituto do Sono da Unifesp está recrutando interessados que não possuam contra-indicações para a prática de exercícios aeróbicos. As atividades ocorrem três vezes por semana e duram 90 minutos. Há 50 vagas. Informações podem ser obtidas pelo telefone 0/xx/11/5572.0177.

[01/2004] Estudo comparativo das capacidades aeróbia e anaeróbia de adolescentes com obesidade severa na cidade de São Paulo

Resumo

A obesidade, antes um problema de saúde nos países desenvolvidos, tem-se tornado, ultimamente, um problema de saúde pública também nos países em desenvolvimento, sendo mais preocupante em crianças e adolescentes, uma vez que, estabelecida nesta faixa etária, determina uma potencial piora das condições de saúde associadas à obesidade na idade adulta. O estudo comparou a capacidade aeróbia e anaeróbia de meninos e meninas, com obesidade severa da cidade de São Paulo-Brasil.

Sessenta meninos e sessenta meninas com obesidade severa (Índice de Massa Corporal - IMC ³ 30.0) com idade entre 14 e 19 anos realizaram densitometria óssea (DEXA),
Avaliação da capacidade anaeróbia (Teste de Wingate) e avaliação da capacidade aeróbia em bicicleta.

Os meninos apresentaram valores aumentados para consumo máximo de oxigênio (VO2 MÁX), limiar anaeróbio ventilatório (VO2 LV-I), freqüência cardíaca do limiar anaeróbio ventilatório (FC LV-I), potência máxima (PT MÁX) e potência média (PT MED), embora apresentassem mesma gordura corporal total (MG TOTAL) e uma massa magra total (MM TOTAL) maior se comparados com as meninas:

PT PEAK (watts/kg) 7,79 ± 1,49 4,03 ± 1,18*
PT AVG (watts/kg) 5,42 ± 1,17 2,71 ± 1,02*
FATTOTAL (%) 45,68 ± 20,98 42,91 ± 3,94
FATTOTAL (kg) 37,57 ± 8,22 38,82 ± 7,65
FFMTOTAL (kg) 58,68 ± 8,25 48,59 ± 5,30 *

Introdução

A obesidade não é um fenômeno recente. Sabe-se da existência de indivíduos obesos já na época paleolítica, há mais de 25.000 anos, mas a sua prevalência , no entanto, nunca atingiu proporções tão epidêmicas como as atuais e vem aumentando em praticamente todos os países em que há acesso a alimentos (1). Nos Estados Unidos, censo recente mostrou que 55% da população adulta tem sobrepeso (IMC igual a 25 kg/m2) ou obesidade (IMC igual a 30 kg/m2). Na Europa, os dados mais recentes evidenciam que 10 a 20% dos homens e 10 a 25% das mulheres apresentam índice de massa corpórea (IMC) igual ou maior que 30 kg/m2 (1).

No Brasil, segundo os dados da primeira Pesquisa de Padrão de Vida (PPV) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem 8,7% de nordestinos obesos e na Região Sudeste 10,5%. No total das duas regiões, os obesos somam 9,8% - em um crescimento expressivo em relação à Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição, realizada pelo IBGE em 1989, que encontrou um índice de 8,2%. Nas crianças, o aumento da obesidade ocorreu em todas as regiões do país, mas principalmente nas regiões Sul e Sudeste, encontrando-se uma prevalência de 9,6% e 9,3%, respectivamente (2).

Dados obtidos da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição demonstraram que, na população de adolescentes brasileiros, 7,6% apresentavam sobrepeso, enquanto outros relatos apresentam uma maior prevalência de adolescentes obesos na cidade de São Paulo, onde dos 14,7% classificados como apresentando sobrepeso, sendo 14% do sexo feminino e 15,6% do sexo masculino (3).

Há uma grande tendência de crianças e adolescentes obesos tornarem-se adultos obesos, sendo que 80% dos adolescentes obesos levam a casos de obesidade no adulto (4). Indivíduos adultos obesos que apresentaram obesidade na infância serão classificados como possuindo obesidade mais grave do que aqueles que se tornaram obesos quando adultos (5). De acordo com Havard Growht Study (Estudo do Crescimento de Harvard) o sobrepeso na adolescência é um precursor de riscos à saúde mais poderoso do que quando o sobrepeso é estabelecido na idade adulta. O aumento de gordura visceral, hiperinsulinemia e hiperlipidemia tem sido achados comuns em adolescentes obesos, o que os torna alvos de doenças cardiovasculares quando atingirem a idade adulta (6). O Ministério da Saúde, por meio do seu Departamento de Doenças Crônicas, afirma que as doenças cardiovasculares são a primeira causa de óbito em nosso país (cerca de 300.000 mortes por ano) e que a prevenção da obesidade pode levar a uma redução em 30% de sua incidência e que os custos diretos e indiretos são elevadíssimos; em geral 2 a 7% dos gastos dos países com a saúde são atribuídos a esta doença (1).

A atividade física total do indivíduo diminui com o processo de maturação, que ocorre durante a infância, e diminui ainda mais nas mulheres do que nos homens, isto é, a criança tem uma quantidade de atividade física espontâneamaior que os adolescentes e estes têm uma maior quantidade de atividade física espontânea que os adultos (7) (8), levando-se em consideração que atividade física é toda atividade.


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